(via onedaughterofathena)

(…) Na sala de aula eu deveria estar concentrada. Mas quem disse que eu não fico? Eu olho para a lousa e o tempo inteiro o quadro reflete sua imagem. A voz do professor parece ecoar a sua quando com raiva. Quando pego a caneta para copiar o que se pede, acabo por escrever algo sobre você. As paredes suplicam por sua presença e eu me vejo quase em um abismo, totalmente presa a ti.
Em meio a milhares de pessoas eu insisto em procurar cada detalhe seu. Nem que sejam mínimos, mas sempre acabo insatisfeita. Minhas buscas não terminam bem sucedidas como bem quero. Não essas. Vezenquando acho que devo ir atrás de ajuda, isso não pode ser normal. Eu vejo seu sorriso estampado em cartazes espalhados pelo centro da cidade, vejo nosso nome um coladinho no outro nos banners em neon que deveria estar anunciando o lançamento de um filme que estréia mês que vem. Também os vejo em capas de livros, aqueles bem clichês e enrolados, porém esqueço de ler a síntese destes. Talvez porque eu gosto desse nosso mistério. Quem sabe; na verdade, eu nem prestei muito atenção no que se tratava, mas eu vi sim o nosso nome, disso eu posso ter certeza.
— Eu não queria que você estivesse passando por isso, de verdade.
Que não queria que nada, sei o quanto está festejando internamente por saber que há uma estúpida que vive com você na cabeça.
— Não seja sínico! Você está adorando tudo isso. — Afirmei.
— Sínico? Então você queria o quê, que eu sorrisse e te deixasse aqui por saber que você pensa em mim o tempo todo, por saber que você sofre por isso?
Pensar em ti não é sofrimento meu menino. Eu até que gosto.
— Eu não queria que você sorrisse, só queria que fizesse o mesmo — Droga! Não deveria ter soltado essa.
— E sabe o que eu queria? Eu queria que você me escutasse, pelo menos uma vez.
Lá vem mais um de seus discursos, eu vou respeitar, mas não cairei mais em suas ladainhas. Não dessa vez.
— Ok. — Respondi curta e grossa.
Suspirou e deu início.
— Eu sei que pode parecer irrelevante — mais que isso, insignificante, pensei em silêncio — Mas acho que depois de tudo, essa será uma boa oportunidade para lhe dizer tudo o que quero. Tudo o que carreguei em sigilo durante todo ese tempo que estivemos distantes. E antes de começar, eu queria te pedir uma coisa… — Parou e me olhou fixamente esperando por minha confirmação.
— Diga!
— Acredite em mim e não me contrarie, por favor.
Improvável.
— Vou tentar.
— Estou pedindo muito?
— Você ainda pergunta?
— Não vejo motivos para não acreditar.
Gargalhei.
— Por que está rindo?
Por que é que só você não consegue enxergar seus erros? Por que você acha que é fácil errar com uma pessoa e quando passar um tempo você acha que ela esquecerá? Por que você tem que ser assim? Tão cabeça dura. Tão difícil…
— Por nada. Lembrei de um acontecimento. Pode continuar. — Nunca consigo dizer tudo o que quero. Incrível!
— Sabe, se eu pudesse voltar ao passado, eu teria feito tudo diferente. Eu errei muito contigo, sempre tento te trazer de volta, mostrar que estou arrependido por tudo, mas parece que não adianta. Apesar de ter passado todo esse tempo, eu não consegui deixar de lembrar das vezes em que largava-mos tudo o que deveria-mos fazer para passar a tarde juntos. Lembro-me de quando você fazia manha quando eu dizia que ia embora. Eu adorava toda aquela nossa melancolia. Aquele clichê todo feito por dois bobos apaixonados. Eu fui o garoto mais idiota do mundo com você, você é a menina que eu sempre sonhei em ter, e quando consegui não soube dar valor, eu te perdi e me lembro disso todas as vezes em que olho nossa foto no mural, ela ainda não saiu de lá sabia? Desculpa minha ignorância, meu ciúme, meu mal humor. Eu só queria mesmo entender uma coisa… Se eu sou o seu único amor e você és o meu, porque ao invés de esquecer-mos, não tentamos corrigir todo esse erro?
Oh pequeno, você me faz tanta falta. Eu te quero tanto.
— O que passou, passou. Não volta mais. — Disse com um aperto enorme dentro de mim…
— Minha vida não acabou e tampouco a sua, pequena. E a menos que você tenha absoluta certeza de que não quer viver ao meu lado, eu não irei parar de insistir. Cansei de partir da sua vida e sempre querer sucumbir-me. Não farei mais isso. Não quero errar de novo. Já sofri demais. Acho que está na hora de ser feliz um pouco.
Quem está com vontade de sucumbir-se sou eu.
— Acho melhor você ir embora. — Não vai não, fique.
— Eu não vou!
Não seja turrão, não faz essa cara de teimoso não. Não faz isso comigo.
— Você está na minha casa. Ou esqueceu?
O empurrei, ele segurou meu braço bruscamente, me apertava. Eu não conseguia soltar ao menos uma palavra, minha vontade era agarrar-te. Quando de repente me vejo envolvida em seus braços. O mundo pareceu girar paulatinamente, eu poderia ficar uma vida inteira ali. O calor de seu corpo estava começando a se juntar ao meu, quando me soltei…
— Eu não quero ir embora, pequena. Não antes de um beijo teu.
Não faz isso comigo. Será que não fui torturada o bastante hoje? (…) Ah e você ainda com o maldito dom de sempre tirar as palavras da minha boca.
— Passou-se anos e conseguimos viver um sem o outro. Daqui pra frente, nada poderá impedir a nossa superação. Eu poderia ficar metade de uma vida envolvida nos teus braços e a outra metade eu gostaria de entrelaçar meus lábios nos teus. Mas acredita em mim. Uma hora essa abstinência vai passar. Karoline Camargo
Como deveria ser:
Como realmente é:
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(via realidade-oculta)
(via re-novada)
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